Filho segura choro ao contar por que pai comprou casa onde foi morto por Bernal
Depoimento de Gabriel Mazzini foi interrompido por cerca de dois minutos durante audiência sobre assassinato
RESUMO
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O filho da vítima, Gabriel Mazzini, foi a última testemunha ouvida na audiência sobre o assassinato do fiscal Roberto Carlos Mazzini. Ele confirmou que o pai visitou o imóvel com representantes da Caixa Econômica Federal antes da compra. A defesa do ex-prefeito Alcides Bernal nega a acusação, enquanto o advogado da família afirma que a propriedade já pertencia à Caixa. Nesta quarta-feira, 12 testemunhas de defesa serão ouvidas.
A última testemunha ouvida nesta terça-feira (26), na audiência de instrução sobre o assassinato do fiscal aposentado Roberto Carlos Mazzini, foi o filho dele, Gabriel de Araujo Mazzini. Logo no início do depoimento, ao ser questionado sobre quem era o pai e a trajetória dele, Gabriel se emocionou, segurou o choro e a fala precisou ser interrompida por cerca de dois minutos pelo juiz.
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Depois da pausa, o filho explicou o motivo que levou Roberto a se interessar pela casa onde acabou sendo assassinado. Segundo Gabriel, o pai havia sofrido uma convulsão no sobrado onde morava e a família passou a temer uma nova emergência no local, principalmente pela dificuldade de retirá-lo do imóvel em caso de socorro. Por isso, o fiscal aposentado decidiu procurar uma casa térrea, para onde se mudaria com a esposa, a sogra e outras duas filhas.
Gabriel contou que acompanhou todo o processo de compra do imóvel e que, em novembro do ano passado, o pai chegou a visitar a casa junto com a CEF (Caixa Econômica Federal).
“Meu pai procurou o gerente do banco para obter mais informações sobre essa residência, e o gerente confirmou que o imóvel estava regularizado. Inclusive, foi oferecida uma visita ao local para conhecer a casa. Então meu pai foi até a residência acompanhado da minha mãe, de um corretor credenciado pela Caixa, que acredito ter sido indicado pelo gerente, e também de um chaveiro”, contou.
Ainda segundo Gabriel, antes da compra, a família fez uma análise da documentação do imóvel, justamente por se tratar de uma casa retomada judicialmente pela Caixa.
“Depois que ele soube do anúncio da residência, nós fizemos uma análise detalhada de toda a documentação do imóvel. Puxamos todos os documentos para verificar a regularidade da aquisição, especialmente porque se tratava de um imóvel retomado judicialmente pela Caixa. E estava tudo certo”, detalhou.
Outra testemunha
Mais cedo, o chaveiro Maurílio da Silva Cardoso, que abriu a casa para que Roberto entrasse no local, também prestou depoimento. Ele afirmou que o ex-prefeito Alcides Bernal chegou armado, perguntando o que os dois faziam ali, e atirou logo em seguida.
Ao relembrar o dia do crime, Maurílio disse que Bernal entrou com a arma em punho. “No momento em que eu olhei, ele já disparou”, afirmou. Segundo o chaveiro, ele levantou as mãos e tentou explicar que estava apenas prestando o serviço para o qual havia sido contratado.
“Daí ele pediu pra eu deitar e continuou caminhando com a arma em punho. Mas aí pensei: deito ou não deito? Se eu deitar pode acabar sobrando pra mim, mas aí ele virou as costas pra mim e, ao invés de eu deitar, eu fui andando rápido em direção ao portão. Ele não olhou pra mim e eu consegui sair do portão”, relatou.
Maurílio disse que fugiu a pé pela Rua Antônio Maria Coelho, com medo de também ser atingido. Ele contou que andou cerca de 30 metros, parou, olhou para trás e percebeu que Bernal não o seguia. O chaveiro afirmou ainda que esperou cerca de 20 minutos antes de retornar ao local para buscar a maleta de ferramentas e a chave do carro.
Ao responder ao MPF (Ministério Público Federal), Maurílio disse que toda a ação foi “instantânea” e que Roberto não teve tempo de se explicar.
Para a defesa do ex-prefeito Alcides Bernal, Roberto não deveria ter tentado assumir o imóvel diretamente. O advogado Ricardo Machado sustenta que a vítima deveria ter recorrido à Justiça por meio de uma ação possessória. Ele também nega a tese de que Bernal não estivesse morando no local.
“Amanhã teremos testemunhas, como jardineiro e piscineiro, que vão confirmar que frequentavam o imóvel, limpavam e faziam a manutenção da residência. Isso afasta completamente a tese de que o imóvel não pertencia ao Bernal”, comentou.
O advogado da família da vítima, Tiago Martinho, por sua vez, afirmou que os depoimentos já colhidos, entre eles os de chaveiro, policiais e funcionários de empresa de segurança, deixaram claro que “o senhor Roberto era o legítimo proprietário do imóvel”.
Martinho também defendeu que, quando a empresa de monitoramento eletrônico foi contratada, a propriedade já pertencia à Caixa Econômica Federal e estava registrada em cartório dessa forma. Para ele, isso mostra que o acusado tinha conhecimento do processo envolvendo o banco.
Nesta quarta-feira (27), a audiência continua na 1ª Vara do Tribunal do Júri, em Campo Grande, com a oitiva de 12 testemunhas de defesa e do ex-prefeito Alcides Bernal.
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