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Capital

Razuk e mais 7 são indiciados por esquema milionário de rifas ilegais

Investigação aponta uso de empresa de fachada para dar ar de legalidade a sorteios sem autorização

Por Inez Nazira | 28/08/2026 15:52
Razuk e mais 7 são indiciados por esquema milionário de rifas ilegais
Eduardo ao lado de veículo avaliado em R$ 1,2 milhão (Foto: Reprodução | Instagram)

A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul concluiu, nesta sexta-feira (28), a investigação da Operação “Rodas da Sorte”. No total, oito pessoas foram indiciadas por envolvimento em um esquema de rifas ilegais pela internet. Entre os indiciados está o influenciador digital Eduardo Razuk, apontado como principal investigado. Segundo a polícia, o grupo teria promovido mais de 100 sorteios sem autorização legal desde 2019.

RESUMO

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A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul concluiu a Operação Rodas da Sorte e indiciou oito pessoas, incluindo o influenciador Eduardo Razuk, por rifas ilegais pela internet. O grupo teria realizado mais de 100 sorteios sem autorização desde 2019, movimentando mais de R$ 100 milhões. Os crimes apurados incluem lavagem de dinheiro, associação criminosa e publicidade enganosa. A defesa contesta as acusações, alegando que os sorteios eram autorizados pela Loteria da Paraíba.

A investigação foi conduzida pela DERCC (Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Cibernéticos) e apurou crimes de lavagem de dinheiro, associação criminosa e publicidade enganosa, além da contravenção penal de loteria não autorizada. Durante a operação, foram cumpridos 13 mandados de busca e apreensão em endereços de Campo Grande (MS), João Pessoa e Campina Grande (PB), Rio de Janeiro (RJ) e Brasília (DF).

Conforme a Polícia Civil, Razuk, que possui milhões de seguidores e é sediado em Campo Grande, promovia rifas com finalidade lucrativa de forma ininterrupta desde 2019. Os prêmios eram, em geral, veículos de luxo avaliados entre R$ 500 mil e R$ 1 milhão, além de celulares e valores pagos por meio de PIX.

A apuração aponta que, entre 2019 e 2025, os sorteios eram realizados sem autorização dos órgãos competentes. A partir de 2025, porém, o grupo teria adotado uma estrutura para tentar conferir aparência de legalidade à atividade.

Empresa de fachada

O advogado Tiago Bunning explicou ao Campo Grande News, ontem (27), que a legislação da Paraíba permite a comercialização e a divulgação, inclusive fora do Estado, de sorteios autorizados pela Loteria da Paraíba.

“A legislação vigente no Estado da Paraíba autoriza a comercialização e a publicidade, inclusive fora do Estado, de sorteios autorizados pela Loteria da Paraíba. Os sorteios realizados eram autorizados”, afirmou.

A defesa afirma que a empresa FN, também investigada, possuía autorização e mantinha contrato com Eduardo para que ele atuasse como influenciador e divulgador dos sorteios. Com isso, o advogado contesta um dos principais pontos da investigação e a suspeita de que os valores movimentados teriam origem em atividade ilegal.

Razuk e mais 7 são indiciados por esquema milionário de rifas ilegais
Advogados João Paulo Calves e Tiago Bunning após audiência de custódia, no Fórum (Foto: Izabela Cavalcanti)

Para a defesa, se os sorteios eram autorizados, não existiria o crime anterior necessário para sustentar a acusação de lavagem de dinheiro. A empresa de Paraíba, que possuía autorização para exploração lotérica naquele Estado, passou a aparecer formalmente como responsável pelos sorteios. Enquanto isso, o influenciador seria apresentado apenas como “divulgador”.

Para a investigação, entretanto, essa estrutura não correspondia à realidade da operação. A empresa foi apontada como uma espécie de “empresa de fachada”, utilizada para permitir que rifas continuassem sendo promovidas com uma suposta “roupagem de licitude”.

No caso de Razuk, os investigadores afirmam que ele seria, na prática, o verdadeiro organizador dos sorteios. A estrutura teria sido utilizada para burlar a legislação, dificultar fiscalizações e investigações e transmitir aos compradores a ideia de que as rifas eram legalizadas e fiscalizadas.

Ainda durante a investigação, a Polícia Civil requisitou à autarquia lotérica estadual da Paraíba documentos relacionados aos procedimentos administrativos que dariam suporte aos sorteios. Na análise do material, foram encontradas inconsistências documentais. Segundo a polícia, havia documentos formalizados nos dias seguintes à deflagração da Operação “Rodas da Sorte”, em 18 de agosto de 2026, embora eles se referissem a sorteios realizados meses antes.

Para os investigadores, os indícios impedem o reconhecimento da integridade, lisura e regularidade dos sorteios analisados. A Polícia Civil ressalta que o problema identificado não seria apenas uma interpretação equivocada sobre os limites da autorização concedida pela autarquia paraibana. A investigação aponta que teria sido construída uma estrutura contratual e societária para esconder quem seria, de fato, o responsável pela operação.

A Polícia Civil também identificou um investigado do Rio de Janeiro que teria intermediado a estrutura por meio de uma empresa que oferecia “soluções para sorteios”. Conforme a investigação, o próprio site da empresa apresentava entre seus supostos clientes pessoas que foram alvo de uma recente operação federal envolvendo rifas ilegais e lavagem de dinheiro.

Razuk e mais 7 são indiciados por esquema milionário de rifas ilegais
Carros apreendidos durante Operação Rodas da Sorte (Foto: Osmar Veiga)

Mais de R$ 100 milhões movimentados

A investigação também dá continuidade ao que havia sido identificado na deflagração da operação. Em apenas seis meses, Eduardo Razuk teria movimentado mais de R$ 100 milhões com a venda de cotas de rifas consideradas ilegais pela Polícia Civil. Os milhões de reais mantidos em contas bancárias, além de mais de 20 veículos de luxo, imóveis e outros bens de alto valor foram bloqueados.

À época, a investigação apontava que o influenciador chegava a faturar cerca de R$ 1,9 milhão por rifa e promovia os sorteios uma ou duas vezes por semana.

Agora, com a conclusão do inquérito, a Polícia Civil afirma ter apurado mais de 100 edições de sorteios no período investigado, sendo mais de 30 delas somente a partir de novembro de 2025.

Os indiciamentos foram realizados, segundo a Polícia Civil, com base na conduta individualizada de cada investigado pelos crimes de lavagem de dinheiro, associação criminosa e publicidade enganosa, além da contravenção de loteria não autorizada. A Polícia Civil destaca que os indiciados ainda respondem ao procedimento e têm assegurados o contraditório, a ampla defesa e a presunção de inocência

A reportagem entrou em contato com o advogado de defesa de Eduardo Razuk, mas, até o momento da publicação desta matéria, não houve retorno.

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