Tsunami global
Possivelmente está se formando o tsunami financeiro global, ou seja, o mar encapelado do dinheiro criado pelos homens gerando instabilidade econômica derivada das suas decisões. É o desalinhamento entre o progresso material e o progresso humano. Não era para ser assim. O dinheiro circulava bem na economia real. Agora fica encalhado em operações especulativas e em pagamento de juros e resgate de dívidas. As nações deixaram de produzir. Além disso, a continuada criação de dinheiro do nada derrubou o poder aquisitivo. Os preços subiram, mas o salário não.
No Brasil, teóricos davam esperança com seus planos de dinamização da economia. Mas o destaque cabia aos empreendedores que conseguiam mobilizar a população na atividade produtiva e percebia-se nitidamente a melhora no padrão de vida. Porém, de repente, tudo foi parando. Não há mais planejadores do futuro; muitas fábricas fecharam.
O mundo desenvolvido fala das vantagens comparativas do Brasil, e ficam tirando proveito. A precarização foi avançando. Os estadistas vão se impondo. Não há como resistir. O Estado vai nivelando tudo por baixo. Os mais velhos perdem a iniciativa. As novas gerações nem chegam a desenvolvê-la. O que deveria ser o Estado? O que é o Estado hoje? No topo, estão os dirigentes das instituições que vão moldando o Estado conforme os seus interesses de ganhos e poder, contribuindo decisivamente para a estagnação e declínio. Tudo poderia ser mais simples, mais eficiente e com menor custo. Há uma convergência de fatores negativos, agravados com o declínio da sociedade, em meio à competição entre os Estados Unidos e a China.
O desequilíbrio da economia global é geral. São mais de 9 trilhões de dólares em câmbio por dia. É o dinheiro que se multiplica sem produzir. Muito difícil competir com a produção da China. Não tem mais emprego de qualidade. O Estado-Nação sofre a influência de grupos oportunistas. O problema não é só a instabilidade criada pelo capital fictício e ganância. O discernimento da espécie humana está encolhendo. Com tantas maldades aplicadas, o Brasil sempre reagiu. A geopolítica sempre interfere nas eleições das nações satélites. Faltam estadistas que engrandeçam e consolidem a nação com boas leis, segurança social e jurídica, dando esperança e motivação. O cenário da precarização e fragilização da nação se estende dos lares para as empresas. Querem que o Brasil se transforme numa vila inexpressiva, preparada para que suas riquezas sejam sugadas, servindo a interesses externos. Onde está a pujança da alma do povo brasileiro?
Diante do medo do vazio ou da ameaça de dissolução da própria consciência, a resposta das massas tem sido a anestesia dos "prazeres do circo" e pelo consumo imediato. Trata-se do desespero mascarado de entretenimento. Parece que, não sabendo o que fazer, as pessoas estão deixando a coisa rolar. O ser humano existe há 3 milhões de anos, um longo período para o fortalecimento de sua alma e espírito; agora o tempo se aproxima do final, o balanço mostra que a alma não se desenvolveu, nem o espírito. O cérebro se desconectou da alma, gerando a frieza intelectiva que está ameaçando destruir tudo que foi construído em bases falsas. Muitas pessoas só conseguem ter melhor visão da vida quando ficam velhas. Não precisariam amadurecer para reconhecer o dom da vida, e que todos são peregrinos em busca da Luz da Verdade; bastaria o querer.
O cenário atual criado não agrada. Faltam grupos coesos em torno de propósitos voltados para o bem. A coesão deve estar no querer do coração e na força de vontade de cada um para se destinar aos propósitos nobres. O grande agregador tem de estar fundamentado num ideal voltado para a finalidade da vida, ou seja, em construir, beneficiar e embelezar o mundo para promover a melhora geral continuada, fato que nunca se deu com unanimidade, inclusive entre os pesquisadores da vida; daí ter surgido a civilização sem amanhã, na qual os seres humanos não aproveitam o precioso tempo que dispõem, gerando, como resultado, um futuro decadente que, no limite, poderá conduzir à autodestruição.
(*) Benedicto Ismael Camargo Dutra é administrador.
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