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Campo Grande, Sábado, 16 de Dezembro de 2017

26/05/2016 13:57

Sobrinhos foram a São Paulo buscar remédio para tentar salvar tia da gripe

Marlene Hashimoto estava internada na Santa Casa, mas morreu na madrugada de quarta-feira (25)

Leandro Abreu
Marlene morreu por conta da gripe A na madrugada desta quarta-feira (25), na Santa Casa de Campo Grande. (Foto: Facebook)Marlene morreu por conta da gripe A na madrugada desta quarta-feira (25), na Santa Casa de Campo Grande. (Foto: Facebook)

Na tentativa desesperada de salvar a vida de Marlene Hashimoto, 59, que morreu por conta da gripe causada pelo vírus H1N1 na madrugada de ontem (25), os sobrinhos se mobilizaram e foram para outro Estado em busca do remédio Tamiflu, usado no tratamento da doença, que estava em falta na rede pública de saúde de Campo Grande. Conforme a prefeitura, hoje as unidades estão abastecidas e a demanda está sendo atendida.

O sobrinho e professor de inglês Sanderson Hilgert, 40, lembra da mobilização quando o exame confirmou que a tia estava com a gripe A. “A nossa família é grande. Saímos de posto em posto e de farmácia em farmácia atrás do Tamiflu, que foi prescrito pelo médico. Mas em lugar nenhum tinha”, lembra. Marlene foi internada primeiramente na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) e em seguida transferida para a Santa Casa na semana passada.

Sem opção em Campo Grande, os parentes que moram em outros Estados foram acionados como última alternativa. “Meu irmão é médico na região de Campinas e conseguiu o Tamiflu lá. Para buscar, um primo nosso que é piloto em Cuiabá conseguiu passagens de emergência, foi para lá buscar e trouxe para a gente. Foi a última alternativa que tínhamos para tentar salvar a vida da minha tia, mas infelizmente não foi possível mesmo assim”, comenta.

Para o irmão de Sanderson, o médico Willian Hashimoto, que auxiliou a família e conseguiu o remédio em São Paulo, nada vai trazer a tia de volta, mas demonstrar a indignação da família e apontar para os erros podem salvar outras vidas. “As pessoas ficam de mãos atadas. Nós nos desdobramos e conseguimos, mas nem todos tem essas condições e mesmo assim só a nossa ajuda não foi suficiente. Um serviço de utilidade pública que compete ao governo disponibilizar a saúde e não funciona. Essa nossa denúncia é para salvar as vidas de quem ainda precisam dessa atenção, da vacina, do remédio”, afirma.

Ainda segundo os sobrinhos, Marlene tinha 59 anos e não estava na idade para tomar a vacina contra a gripe, mas ela fazia parte do grupo de risco por ser diabética e ter problemas renais. “Mesmo assim, quando ela foi no posto não tinha. Aí ela ficou sem tomar. Assim como ela e outras pessoas já morreram em Campo Grande por conta da gripe, se continuar desse jeito, mais pessoas morrerão. Ainda não sabemos se vamos tomar providências jurídicas contra a prefeitura, mas é algo preocupante que precisa ser resolvido o mais rápido possível”, finalizou Sanderson.

A Prefeitura de Campo Grande, por meio de sua assessoria de imprensa, informou que atualmente não há falta de Tamiflu na rede. Cerca de 100 mil unidades do medicamento foram solicitados ao Ministério da Saúde, que enviará de forma fracionada. Nesta quarta-feira (25) chegaram 10 mil que abastecem as UPAs do Leblon, Vila Almeida, Coronel Antonino, Moreninha, Universitário e a Santa Casa e Hospital Universitário.

De acordo com o boletim epidemiológico da SES (Secretaria de Estado de Saúde), divulgado ontem, 25 pessoas morreram em Mato Grosso do Sul por gripe do vírus Influenza. Desde número, 9 casos ocorreram em Campo Grande. Mesmo a campanha nacional de vacinação tendo terminado no dia 20 e a Capital ter atingido uma taxa de 93% de imunização, cerca de 3 mil doses da vacina foram “perdidas” e a Sesau (Secretaria Municipal de Saúde Pública) ainda não sabe onde foram parar.



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