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Campo Grande, Sábado, 21 de Abril de 2018

03/01/2018 17:19

Defesa prepara nova investida para liberar investigado na Ouro de Ofir

Advogados já haviam tentado um habeas corpus e devem, novamente, buscar no TJMS a liberação de Celso Éder Araújo, acusado pela PF de comandar o golpe milionário

Humberto Marques
Celso Eder foi preso durante a deflagração da Ouro de Ofir; defesa tentará novamente sua liberação. (Foto: Marcos Ermínio/Arquivo)Celso Eder foi preso durante a deflagração da Ouro de Ofir; defesa tentará novamente sua liberação. (Foto: Marcos Ermínio/Arquivo)

Com o arquivamento das investigações da operação Ouro de Ofir, relacionados a crimes contra o sistema financeiro nacional, a defesa do empresário Celso Éder Gonzaga Araújo prepara uma nova investida judicial visando a liberação do acusado. A decisão foi tomada em 22 de dezembro e envolvem a remessa dos autos para a Justiça Estadual –até então, as apurações da PF também tramitavam na Justiça Federal.

A decisão de 22 de dezembro foi assinada pelo juiz federal plantonista Roberto Polini, da 3ª Vara Federal de Campo Grande. Ele seguiu manifestação do MPF (Ministério Público Federal) pelo arquivamento dos autos na esfera federal, a partir de dois artigos da lei que prevê crimes contra o sistema financeiro nacional –o 7º (emissão e negociação de títulos ou valores mobiliários falsos ou falsificados e sem registro, lastros, garantias e autorização) e o 16º (operação sem autorização ou mediante declaração falsa de instituição financeira).

Representantes de Celso André confirmaram novas investidas visando a sua soltura, que agora será pleiteada perante o TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul), onde já corria processo contra o empresário por porte ilegal de arma de fogo –há quatro anos, ele havia sido condenado pelo mesmo crime.

Local – Em 21 de novembro, durante o cumprimento de mandados da Ouro de Ofir, as autoridades apreenderam duas armas de fogo com Celso André (uma dentro da casa e outra, que seria herança da família, em seu automóvel. Ele chegou a conseguir um alvará de soltura na 1ª Vara Criminal de Campo Grande, porém, a conversão da prisão em flagrante para preventiva –já com base nas denúncias do MPF– impediu sua liberação.

PF cumpriu mandados da Ouro de Ofir em empresa e residência do investigado. (Foto: Liniker Ribeiro/Arquivo)PF cumpriu mandados da Ouro de Ofir em empresa e residência do investigado. (Foto: Liniker Ribeiro/Arquivo)

Agora, com a divisão da ação, elementos que não foram contemplados na decisão do juiz federal continuarão a ser investigados pelo TJ. A Polícia Federal já repassou os autos para o MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul), que deve, em breve, apresentar denúncia na seara estadual. Conforme o delegado Guilherme Farias, da PF, a tramitação deve ser rápida, já que os investigados seguem presos.

Dentre os denunciados na Ouro de Ofir, Ricardo Machado Neves segue foragido, enquanto Celso Eder –dono da Company Assessoria Empresarial, que seria fachada do golpe–, o tio dele, Anderson Flores de Araújo, e Sidnei dos Anjos Peró seguem presos.

Uma primeira tentativa de liberar os réus foi negada no TJMS, em manifestação do desembargador Romero Osme Lopes. Entre os problemas apontados estava a ausência de digitalização dos autos, distribuídos em vários volumes, que dificultou a leitura de detalhes do processo.

Company é investigada na operação. (Foto: Guilherme Henri/Arquivo)Company é investigada na operação. (Foto: Guilherme Henri/Arquivo)

Denúncia – A Ouro de Ofir investiga um golpe que teria feito pelo menos 25 mil vítimas em todos os Estados brasileiros, tendo a Company, empresa de consultoria empresarial de Celso Éder, como “suposta fachada”. O esquema envolveria a negociação de participações em um processo de indenização que, conforme as apurações, arrastaria-se há 60 anos.

Celso, que se apresentara como cônsul honorário da Guiné-Bissau (África) e empresário de sucesso, dizia-se herdeiro de uma mina de ouro explorada ainda no Brasil Império, a qual estaria vinculada a indenização milionária. Dela, 60% seria destinado à sua família, e os 40% restantes para quem ajudasse a pagar a ação. Os percentuais teriam sido atribuídos por uma corte internacional, e a parte dos colaboradores seria negociada pela organização, contando com um forte esquema de propaganda, balizado em aplicativos de mensagens.

O apoio mínimo custaria R$ 1 mil, e era vinculado à promessa de multiplicar o investimento. O acusado chegou a declarar patrimônio superior a R$ 3,9 bilhões, em uma Letra do Tesouro Nacional, prática que a PF apontou ser ilegal e adotada para tentar convencer potenciais vítimas.



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