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Campo Grande, Sábado, 21 de Abril de 2018

12/12/2017 10:21

Tribunal mantém na cadeia líderes de golpe milionário com 25 mil vítimas

Em geral, o investimento inicial era de mil reais para um resgate financeiro futuro de R$ 1 milhão

Aline dos Santos
Dinheiro apreendido durante a operação Ouro de Ofir, realizada em 21 de novembro. (Foto: Divulgação/PF)Dinheiro apreendido durante a operação Ouro de Ofir, realizada em 21 de novembro. (Foto: Divulgação/PF)

Apontados como líderes de um golpe com promessa de trilhões e presos na operação Ouro de Ofir, Celso Eder Gonzaga de Araújo, Anderson Flores de Araújo e Sidinei dos Anjos Peró tiveram pedidos de habeas corpus negados pelo TRF 3 (Tribunal Regional Federal da 3ª Região). Eles foram presos pela PF (Polícia Federal) em 21 de novembro. A estimativa é que o golpe tenha 25 mil vítimas no Brasil.

As defesas de Celso e Anderson apontam que os argumentos para a prisão não têm fundamentos e que a autoridade policial se eximiu de sua obrigação investigativa. “Sequer diligenciou na busca da verdade, fundando-se em reportagens jornalísticas para impingir aos pacientes a imagem de fraudadores e falsários”, informa.

Os advogados alegam que as prisões foram por quatro argumentos: a divulgação por terceiros desconhecidos de "áudios" em grupo de Whatsapp; a continuidade das atividades da empresa na prática delituosa; a falsidade dos diplomas educacionais; e a prescrição das letras de câmbio que supostamente seriam negociadas.

Para a desembargadora federal Consuelo Yoshida, os documentos da investigação, realizada pela PF por meio do núcleo de inteligência em Campo Grande, aponta condutas graves, que teriam “acarretado grave lesão patrimonial a uma coletividade de pessoas incautas e colocado em risco a credibilidade do sistema financeiro nacional”.

Na decisão, foi anexada transcrição de conversa no aplicativo WhatsApp que informa a continuidade das operações para resgate de dinheiro.

“Nesse momento, qualquer alegação de bons antecedentes, primariedade, residência fixa, ou qualquer outra circunstância de ordem pessoal resta fragilizada em face da necessidade de garantia da ordem pública e da persecução penal”, cita a desembargadora.

Já o pedido de habeas corpus de Sidinei dos Anjos Peró foi negado pelo desembargador federal Andre Nekatschalow. A defesa do preso alegou que a prisão foi baseada apenas em conteúdo interceptado de mensagens particulares trocadas em redes sociais; que não há envolvimento de dinheiro público e que Sidinei nega a realização de qualquer negócio fraudulento em prejuízo de terceiros.

“A soltura do paciente poderá colocar em risco toda a coletividade que tem sido alvo de cooptação para a realização de operações fraudulentas, o que, considerando a quantia elevada de recursos envolvidos e o número incerto, mas também elevado, de pessoas vitimadas, tendo em vista a divulgação das operações por intermédio de redes sociais e do Whatsapp, representa risco à ordem econômica e à eficácia das investigações e à aplicação da lei penal”, afirma o desembargador. Os três estão no Presídio de Trânsito, em Campo Grande. 

Ouro de Ofir – A operação investiga organização criminosa que vende ilusão: a existência de uma suposta mina de ouro cujos valores, repatriados para o Brasil, são cedidos, vendidos ou até mesmo doados mediante pagamento.

Em geral, o investimento inicial era de mil reais para um resgate financeiro futuro de R$ 1 milhão. Mas há quem tenha investido R$ 500 mil.Ouro de Ofir, nome da operação, é baseado em uma cidade mitológica da qual seria proveniente um ouro de maior qualidade e beleza. Mas nem ouro e nem cidade foram localizados. Um dos alvos da operação, Ricardo Machado Neves segue foragido.



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