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07/06/2019 06:22

Cuidado infantil deve ser o principal direito do brasileiro

Mário Sérgio Lorenzetto
Cuidado infantil deve ser o principal direito do brasileiro

Quantos pretendem ir às ruas reivindicar por mais verbas para as crianças brasileiras? Os adultos deste país só pensam - e se matam - por seus direitos. Uma pesquisa de 2017 mostrou que quase 90% dos eleitores acham que tornar a educação precoce acessível para todas as famílias deveria ser a prioridade número um. Precisamos aproveitar esse consenso. Sem os devidos cuidados infantis, todas as demais políticas sociais, econômicas e educativas tendem à nulidade.

Cuidado infantil deve ser o principal direito do brasileiro

Um milhão de conexões neurais por segundo.

Sabemos, através de avanços na neurociência, que o cérebro das crianças está crescendo explosivamente durante os três primeiros anos de vida. O número é surpreendente e colossal: mais de um milhão de conexões neurais por segundo são formadas no cérebro de uma criança. Isso expõe a verdade científica incontestável que o cérebro de uma criança moldará toda sua aprendizagem e comportamento futuro. Depois de formado, pouco resta a fazer.
Esse também é o período em que somos mais vulneráveis aos traumas. Experiências como a falta de moradia, a separação forçada da família ou a exposição à violência inibem a capacidade da criança de aprender na escola e de formar relacionamentos de confiança. Aos 24 meses, as crianças que vivem fora da creche ou da escola quase sempre apresentam atrasos comportamentais e cognitivos. Igualmente poderoso, no entanto, é o impacto de um pai ou de uma professora em sintonia com a criança, alguém que entende como construir relacionamentos amorosos e responsáveis que podem estimular o aprendizado e reparar os danos causados por um trauma.

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Ambientes exemplares de aprendizagem infantil.

Em ambientes exemplares de aprendizagem precoce, as crianças exploram uma grande variedade de materiais e fazem escolhas como parte de rotinas cuidadosamente planejadas. Há ciência para isso. Uma menina mancha suas mão com tinta roxa, enquanto um menino observa a reação da professora a um ato que não deveria ter cometido. Perto deles, uma professora lê um livro - sempre em conjunto com as crianças - sobre um gatinho, enquanto duas garotinhas se revezam olhando as fotos e discutindo sobre os ruídos que os gatinhos fazem quando estão tristes. Do outro lado da sala, um bebê rasteja atrás de uma bola e sua mãe diz: "Sim, você conseguiu pegar a bola. Essa bola pode rolar". Em cada caso, o adulto comenta sobre as descobertas da criança em linguagem que ela entende e sinaliza para a criança que o que ela faz é importante.

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Investir em crianças geram retorno anual de 13%.

Pesquisam já mostraram à exaustão que investir na primeira infância gera um retorno anual de 13%. Só com atendimento infantil de qualidade ocorrerá sucesso escolar, as famílias aumentarão seus ganhos, melhorarão a saúde, fortalecerão as raízes e reduzirão as taxas de criminalidade.
Já ultrapassamos o primeiro passo. Mesmo países altamente industrializados - como os Estados Unidos - não disponibilizam a licença materna para acompanhar o nascimento do bebê. Mas falta muito. O segundo passo é melhorar a remuneração dos educadores da primeira infância. Eles ganham miseravelmente quando comparados com seus demais colegas. Esses salários baixos criam estresse para os professores e, por sua vez, para as crianças. Não é de surpreender que a rotatividade desses profissionais seja enorme, possivelmente mais de quatro vezes que nas demais escolas.
O passo três é uma injeção vigorosa de financiamento público para a formação dessas professoras. Elas estão abandonadas e na pirâmide do status quo dos professores ocupam o mais baixo dos escalões, não são reconhecidas como competentes.

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Onde há prioridade?

Como nação, ainda não acordamos para o fato de que nossas prioridades deveriam ser secundárias. Os primeiros 1.000 dias de uma criança são tempo para ser aproveitado. Um tempo para nivelar o campo de jogo futuro. O atendimento e a educação precoce não são um luxo. É um direito fundamental que deveria ser universal.



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