14/03/2019 07:13

Depois de jogar copo de cerveja na mulher, ator é obrigado a buscar tratamento

Ator publicou nota onde afirma que "não quer ser machista", depois de grupo de teatro exigir uma transformação.

Guilherme Henri
Espetáculo Areôtorare, do grupo Maracangalha, do qual o ator faz parte. (Foto: Acervo Pessoal)Espetáculo Areôtorare, do grupo Maracangalha, do qual o ator faz parte. (Foto: Acervo Pessoal)

Depois de jogar um copo de cerveja na cara da companheira em meio a um bloco de Carnaval, ator do Teatro Imaginário Maracangalha publicou nota ontem (13) assumindo a agressão e anunciando que procura ajuda “para não ser mais machista”.

O episódio aconteceu no dia 28 do mês passado, no bloco Evoé Baco. Na nota, assinada pelo ator, ele detalha que além de jogar o copo também praticou violências psicológicas contra a companheira de vida e de cena.

“Já tive outras ações machistas, violência e agressões, inclusive com integrantes do grupo e espero que seja a última... tenho certeza que sofrer este constrangimento não é nada perto do que vocês mulheres sofrem diariamente. Foi uma agressão e ponto final. Já conversei com ela pedi desculpas pessoalmente e me retratei, quero pedir desculpa a todas as mulheres que se sentiram agredidas com meus atos”, comenta em trecho da nota.

Para deixar de ser machista, o ator informa ainda que entrou em contato com a Casa da Mulher Brasileira onde encontrou um grupo do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, que trata do assunto. “Participarei dos trabalhos lá. Não quero dar voltas, vou propor reuniões e rodas de conversas para que eu e outros homens possamos ouvir e falar sobre nosso machismo e agressividade”.

Mostrando coragem, o ator encerra o manifesto deixando um recado a todos os agressores: "Não tem mais pano, ou mudamos ou ficaremos só”.

O Lado B entrou em contato com o ator e por telefone e ele informou que “não quer deixar o assunto ainda mais público” e preferiu não conceder entrevista.

Sobre o assunto, o diretor do bloco Evoé Baco e do Maracangalha, Fernando Cruz, explica que, antes da retratação, o grupo publicou outra nota, esclarecendo toda a situação. “Depois do ocorrido, nos reunimos com ele e conversamos. Fizemos uma nota, que foi assinada pelas mulheres do grupo lamentando o fato", conta.

Além disso, ficou acertado que está seria a última oportunidade dele se redimir e buscar ajuda profissional. O tratamento foi colocado como condição de permanência no grupo. "Não foi o primeiro episódio de violência”,  justifica Fernando.

A primeira nota, a qual Fernando se refere informa que “exigimos ainda que o mesmo, esteja disposto a buscar um processo de reeducação, que repense sua conduta agressiva e proponha meios de enfrentamento aos casos de violência contra a mulher. Exigimos que como ferramenta (auto)pedagógica e de reparação o companheiro proponha espaços de formação para que homens como ele possam se conscientizar, na pratica, na práxis e não só na retorica quanto ao real apoio e entendimento das bandeiras feministas. Estas são as condições para permanecer no Imaginário Maracangalha, pois solidariedade e luta anti-machista é mais que palavra escrita ou falada, é compromisso de alma”.

Além disso, Fernando revela que depois do episódio, o grupo organizou um evento com especialista voltado apenas a homens, que vai promover um debate sobre a questão do machismo. O encontro será no dia 1º de abril, às 15h no Teatro Imaginário Maracangalha, na Rua Nicolau Frageli, 86.

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