Uma bruxa, em sua vassoura, atravessa os céus de Campo Grande
As bruxas mais famosas da história misturam figuras reais - perseguidas - com lendas criadas pela verdadeira malvadeza humana. “Yamauba” é a bruxa da montanha do Japão, uma figura solitária que pode ajudar ou amaldiçoar viajantes. A “selkie” vem de um lago escocês e não é tão malévola. Na Alemanha existem histórias sobre a “lorelei”, uma mulher que fica sentada sobre uma pedra, penteando o cabelo. É a Rússia a morada da “rusalka”, uma bruxa que só sai à noite vestida com o Baikal, o maior lago do mundo. Se você cruzar com ela, morrerá certamente. Mas Campo Grande já viu uma bruxa, viajando em sua vassoura, cruzar seus céus.
A Bruxa da Sapolândia.
Próximo ao bairro Taquarussu havia uma imensa favela. Devido à grande quantidade de sapos que por lá coaxavam em suas noites, a região foi, nos anos 60 e 70, apelidada de “Sapolândia”. Por lá, vivia Célia de Souza, uma mulher acusada de magia. A maldade humana misturou fatos reais e lenda, marcando o imaginário local. Célia era uma curandeira e mãe crecheira, cuidava de crianças cujos pais trabalhavam em fazendas.
As acusações.
Célia foi acusada de matar seis crianças e realizar rituais demoníacos no quintal de sua casa. Recebeu o apelido de “Bruxa da Sapolândia”, pela imprensa. Foi presa em 1.969 e liberada somente em 1.971 por falta de provas. Nenhuma prova sequer. A lenda, no entanto, narra, até os dias atuais, rituais de magia negra e corpos enterrados no local. Foi usada, por muito tempo, para assustar crianças e um marco da crônica policial escandalosa. Solta, Célia desapareceu dos céus de C.Grande, não deixou nem a vassoura.
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