Enxurrada alaga ruas da Capital e moradores cobram obras prometidas há anos
Registros mostram água sobre calçadas e população denuncia crateras abertas em três bairros da cidade
A chuva que atingiu Campo Grande na manhã deste sábado (13) deixou ruas alagadas pela enxurrada e moradores ilhados em diferentes regiões da cidade. No Jardim Centro-Oeste, Jardim Los Angeles e Bairro Vespasiano Martins, a água tomou vias, cobriu calçadas, abriu crateras e reacendeu cobranças antigas por limpeza de bocas de lobo, retirada de entulho e obras de drenagem.
RESUMO
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Chuva que atingiu Campo Grande na manhã deste sábado (13) deixou ruas alagadas nos bairros Jardim Centro-Oeste, Jardim Los Angeles e Vespasiano Martins, com moradores ilhados e casas invadidas pela enxurrada. Moradores relatam que bocas de lobo estão entupidas há mais de dois anos, ruas acumulam entulho desde fevereiro e obras prometidas de drenagem não foram realizadas. A prefeitura foi contactada e aguarda resposta.
Vídeos enviados ao Campo Grande News pelo canal Direto das Ruas mostram a situação em pelo menos três pontos da Capital.
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Na Rua Patrocínio, próximo à Avenida dos Cafezais, no Jardim Centro-Oeste, um leitor que pediu para não ser identificado relatou que passou pelo local por volta das 10h e encontrou a via alagada.
Nas imagens enviadas à reportagem, a água cobre o quebra-molas, avança sobre as calçadas e obriga uma mulher a atravessar a rua com guarda-chuva em meio à enxurrada. Segundo o morador, a água também invadiu casas e assustou quem vive na região. Durante a gravação, ele ironiza: “Aqui é o MS, por isso que eu gosto daqui, aqui é outro país”.
No Jardim Los Angeles, a autônoma Luciana Pereira Machado, de 45 anos, relata que mora há 30 anos na Rua José Peixoto, esquina com a Rua Antônio Prado. Segundo ela, a chuva da manhã deste sábado durou cerca de 40 minutos e foi suficiente para transformar as ruas da região em um “verdadeiro rio”. Na noite anterior, a chuva teria durado aproximadamente 50 minutos e provocado novo alagamento.
A gravação feita por Luciana mostra a rua completamente tomada pela água. Mesmo com a via intransitável, motoristas e motociclistas se arriscavam a passar pelo trecho.
De acordo com a moradora, faz mais de dois anos que a prefeitura de Campo Grande não realiza o desentupimento das bocas de lobo no Jardim Los Angeles. A situação é considerada mais crítica na região entre as ruas Dom Fernandes Sardinha, Augusta Rossini Guidi e Marco Feliz, por onde a enxurrada desce em direção ao córrego, abaixo do Museu José Antônio.
Os moradores afirmam que as ruas estão cheias de entulho, cascalho, mato, areia e lixo. Segundo Luciana, esses materiais não são retirados desde fevereiro de 2025, quando outra chuva forte atingiu a região. Na época, a prefeitura teria informado que enviaria uma retroescavadeira para rebaixar a rua em cerca de 1,20 metro, com o objetivo de facilitar o escoamento da água para o córrego. Até agora, conforme a moradora, nada foi limpo ou rebaixado.
Luciana também afirma que casas localizadas abaixo da residência dela foram invadidas pela enxurrada tanto na chuva da noite anterior quanto na manhã deste sábado. Ruas como Afonso Celso, José Peixoto, Augusta Rossini Guidi e Marco Feliz viraram rios durante os temporais no Jardim Los Angeles.
Ainda segundo os moradores, o poder público teria anunciado a obtenção de verba federal para construção de galerias pluviais e solução dos alagamentos na região. A informação teria sido divulgada em novembro de 2025, mas, até o momento, eles dizem que nem mesmo a limpeza das ruas foi feita.
“É uma vergonha. A gente já não sabe mais a quem pedir ajuda. Meu muro caiu há muito tempo por causa da força da enxurrada e da chuva. Minha casa está cheia de rachaduras, porque a água que passa pela rua entra no meu quintal. O poder público tem verba, mas não fazem nada para ajudar a população”, relata Luciana.
No Bairro Vespasiano Martins, a atendente Marinette Chimendes dos Santos, de 24 anos, moradora da região há 24 anos, também reclama das condições das ruas após a chuva. Segundo ela, a Rua Flória Britez de Eugênio fica crítica sempre que chove.
“Toda chuva acontece isso e a cratera cresce a cada chuva. Os veículos aqui da comunidade nem estão saindo mais de casa por causa da cratera que se encontra na rua”, afirma.
A moradora relata que as ruas Flória Britez de Eugênio, Oswaldo Figueiredo e Jandi estão em situação crítica. “Faz tempo que estamos passando por isso aqui no bairro. As ruas estão intransitáveis, fora os buracos”, diz.
Na gravação enviada por Marinette, a Rua Flória Britez de Eugênio, que não é asfaltada, aparece tomada pela lama. A água desce em direção à Rua Luiz Gustavo Ramos de Arruda, que é asfaltada. Segundo ela, a enxurrada passa pela Rua Oswaldo Figueiredo e desce pela Rua Flória Britez de Eugênio até a Rua Jandi, abrindo crateras pelo caminho.
“Toda vez que chove é assim”, resume a moradora.
Os moradores cobram providências urgentes para limpeza das bocas de lobo, retirada de entulho e execução das obras prometidas para evitar novos alagamentos em Campo Grande.
A reportagem solicitou posicionamento da prefeitura de Campo Grande sobre os alagamentos, a falta de limpeza de bocas de lobo, o acúmulo de entulho, as crateras abertas pela enxurrada e a previsão de obras de drenagem nos pontos citados pelos moradores e aguarda resposta.
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