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Cratera no Parque do Sóter levou asfalto e poste para dentro do buraco

Por Paula Maciulevicius | 30/01/2012 20:45

Tapumes restringem acesso à cratera aberta com a chuva de 5ª no Parque do Sóter

Poste, grama e pista de caminhada. Tudo foi para o buraco que ganhou maior proporção com última chuva. (Foto: Marlon Ganassin)
Poste, grama e pista de caminhada. Tudo foi para o buraco que ganhou maior proporção com última chuva. (Foto: Marlon Ganassin)

A população e as estruturas pela cidade ainda amargam as consequências da chuva forte da semana passada. O volume, mais do que já falado, chegou a 91 milímetros em poucas horas da tarde de quinta-feira. No Parque do Sóter, uma erosão deu às caras. Chegou a levar parte da pista de caminhada e até o poste de iluminação para dentro do buraco.

De imediato, tapumes foram colocados para restringir o acesso e impedir caminhadas pelo local. Quem estava por lá afirma que a erosão já ia completar aniversário. A extensão salta aos olhos. O buraco já engoliu o asfalto, grama e deixa rachaduras a passos largos.

“Onde não levou, ficou tudo rachado”, observa um senhor que caminhava por ali próximo.

Até a cerca que dividia a vegetação natural da grama que já não existe mais, está no ar. E o receio é de que a cratera ganhe proporção ainda maior com as próximas chuvas.

Por conta do ocorrido, o Parque permaneceu fechado pela sexta-feira de manhã. Foi abrir depois das 10h.

“Até o poste foi parar ali dentro. É o barato que sai caro. O buraco era pequeno, mas já tinha um ano e a água foi levando tudo”, comenta um trabalhador que visualizava a cena de longe.

Colocar os pés próximos a cratera e voltar os olhos para dentro chega a assustar e despertar até certa curiosidade. Na ponta direita do buraco aparecem timidamente restos de plástico e vidro, indícios de lixo.

Buraco interrompeu caminhada no Parque do Sóter e ameaça rede elétrica. (Foto: Marlon Ganassin)
Buraco interrompeu caminhada no Parque do Sóter e ameaça rede elétrica. (Foto: Marlon Ganassin)
Na ponta direita da cratera, plástico e vidro. Indícios de lixo em meio ao buraco aberto. (Foto: Marlon Ganassin)
Na ponta direita da cratera, plástico e vidro. Indícios de lixo em meio ao buraco aberto. (Foto: Marlon Ganassin)

“Eu achei que a grama fosse segurar, mas tem lugar que não suporta mais. A água escorre e vai comendo. A iluminação está comprometida ali”, observa o trabalhador.

Ele se refere aos cabos de energia de todo o parque, que estão por um fio em um cano que atravessa a cratera.

Do lado de fora do parque, o técnico em refrigeração Cícero Gomes, 44 anos, fazia as caminhadas diárias. Ele confirma, o buraco dava indícios de que iria chegar uma hora ou outra. “Tem mais de um ano que começou essa erosão. Foi indo até chegar nesse ponto e até agora não vi nenhuma providência”, comenta.

E não é só isso que ele tem a dizer. A estrutura do Sóter apresenta riscos, que aos poucos podem se tornar grandes problemas. “A ponte de madeira do outro lado está judiada, precisa de reparos, pode cair numa próxima chuva”, diz.

O sol batia forte e ele voltou a caminhar. “Essa parte realmente cabe aos órgãos competentes, a população não tem como intervir. Agora se tornou risco principalmente para criançada. Hoje a opção que tem é essa, caminhar por fora”, disse seguindo os passos do exercício.

Engenheiro observou que o solo não é adequado para contenção da água, por ser muito arenoso. (Foto: Marlon Ganassin)
Engenheiro observou que o solo não é adequado para contenção da água, por ser muito arenoso. (Foto: Marlon Ganassin)

Que o crescimento populacional e das construções da cidade somam para o resultado visto por toda a cidade desde quinta-feira, somam. Mas não é só isso, pelo menos ali no Parque do Sóter.

Para o presidente do sindicato dos Engenheiros em Mato Grosso do Sul, Edson Shimabukuro, o problema não está só na rede de drenagem, como também no esgoto e tratamento de lixo. E o preparo é a chave para lidar com a época de chuvas.

“Na verdade a gente sempre ouve falar nessa questão, chuva e estragos, mas tem que estar preparado para acidentes como estes em vista dos anos anteriores, é preciso ter planejamento não a curto, mas a longo prazo”, coloca.

Nesta segunda-feira ele acompanhava de perto o cenário que se abriu no Parque do Sóter. Engenheiro civil, Shimabukuro observou problemas no solo.

“O solo não é adequado para contenção normal da água. É muito arenoso, a consistência não é boa”, declara. Para ele a solução vai além do aterro. “Não adianta só aterrar, tem que fazer infraestrutura para conter a água”, explica.

Sobre a proporção do buraco ele relaciona a questão com a cratera aberta no corredor do bairro Nova Lima. “Quando começa a abrir a ferida é preciso cuidar rapidamente, se não de uma pequena erosão, vira uma voçoroca”.

A passos da cratera o especialista já pode constatar as rachaduras no restante da pista de caminhada. “Isso é influência do próprio buracão. A estrutura depende da lateral e se ela não está bem firme, tende a expandir se não criar sustentáculos”, conclui.

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