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“Falavam que eu era feia”, diz criança internada após uso de caneta emagrecedora

Avó é acusada de ministrar medicamento do Paraguai, mas garante que tudo é mentira em disputa por herança

Por Gabi Cenciarelli | 08/05/2026 15:46
“Falavam que eu era feia”, diz criança internada após uso de caneta emagrecedora
Marquinha na barriga da criança é quase imperceptível (Foto: Direto das Ruas)

A menina de 11 anos internada após supostamente ser submetida ao uso de medicamento para emagrecimento contou ter sofrido pressão psicológica dentro da própria família antes de apresentar sintomas graves e precisar de atendimento médico. Segundo o relato da criança ao Campo Grande News, os comentários sobre o corpo começaram após a morte do avô, a quem ela descreveu como figura paterna.

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Menina de 11 anos foi internada após supostamente receber medicamento para emagrecimento administrado pelo tio, advogado de 38 anos, com apoio da avó materna, de 68 anos. A criança perdeu 5 quilos em uma semana e apresentou desmaios, tremores e desidratação. A avó nega as acusações e alega extorsão. Os dois suspeitos estão proibidos de se aproximar da menina por decisão judicial.

“Meu avô jamais deixaria acontecer nada comigo. Ele sempre me protegeu”, afirmou. Conforme a menina, foi depois da perda dele que o tio passou a frequentar mais a casa da avó e começaram as falas sobre aparência física. “Falavam que eu estava gorda, que eu estava feia”, disse. Segundo a criança, o homem afirmava que, se ela não aceitasse usar o medicamento, “ia continuar feia” e futuramente ficaria obesa. “Eu nunca fui gorda. Me deixei levar pela pressão psicológica dele”, declarou.

A menina relatou que nunca quis tomar a medicação, mas acabou cedendo após insistência constante. De acordo com ela, o produto teria sido comprado no Paraguai e aplicado sem preparo adequado. “Eles não sabiam aplicar. Ficou marca na minha barriga”, contou.

“Falavam que eu era feia”, diz criança internada após uso de caneta emagrecedora
Caixas de Tirzepatida apreendidas durante ação policial (Foto: Ilustrativa | Arquivo )

Depois do uso, segundo a criança, vieram os efeitos físicos. Ela disse ter sido orientada a usar cinta modeladora e afirmou que perdeu peso rapidamente. “Eu fiquei muito seca. Não conseguia comer nada”, descreveu. Ainda conforme o relato, os sintomas evoluíram para desmaios. “Teve uma noite que eu levantei para ir ao banheiro e caí no chão. Vi tudo preto.”

A criança afirmou ainda que, ao avisar a avó sobre o mal-estar, ouviu que aquilo seria “normal”. A mãe procurou as autoridades após perceber a rápida deterioração física da filha. Conforme boletim de ocorrência e relatório médico já divulgados anteriormente, a menina perdeu cerca de 5 quilos em apenas uma semana, apresentou desidratação, tremores, tonturas, insônia e redução severa de apetite. O documento médico também aponta risco de prejuízos ao desenvolvimento físico da criança.

A investigação aponta como suspeitos a avó materna, de 68 anos, e o tio da menina, advogado de 38 anos. Os dois tiveram medidas protetivas impostas pela Justiça e estão proibidos de manter contato ou se aproximar da criança. O médico responsável pelo atendimento alertou que medicamentos desse tipo possuem indicação restrita e que o uso inadequado em crianças pode provocar consequências graves, como desidratação severa, alterações na pressão arterial e perda excessiva de peso.

A reportagem também tentou contato com o tio citado na investigação, mas as ligações não foram atendidas até a publicação desta matéria. O caso segue sob investigação das autoridades competentes.

Por envolver uma menor de idade, o Campo Grande News preserva a identidade dos familiares citados. Procurada pela reportagem, a avó negou as acusações investigadas pela polícia e afirmou que a denúncia teria sido motivada por conflitos familiares ligados a um inventário. “É tudo mentira isso”, declarou.

Segundo ela, o caso acontece em meio a desentendimentos entre parentes. A mulher afirmou ainda ter procurado a polícia para registrar boletim de ocorrência e alegou ser vítima de tentativa de extorsão. Essa versão, porém, não foi confirmada pelas autoridades e, até o momento, não aparece nos documentos da investigação.

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