Câmara recebe comitiva da Ucrânia e inicia diálogo para acordo de cidades-irmãs
Encontro abre caminho para cooperação ambiental, científica e institucional entre a Capital e Rivne
A Câmara Municipal de Campo Grande recebeu, nesta terça-feira (24), uma comitiva oficial da Ucrânia para uma agenda institucional voltada à cooperação internacional em sustentabilidade. O encontro ocorreu no contexto da COP-15 e marcou o início de tratativas para que a Capital sul-mato-grossense estabeleça uma relação de cidade-irmã com Rivne, no noroeste ucraniano.
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A Câmara Municipal de Campo Grande recebeu uma comitiva oficial da Ucrânia para discutir cooperação internacional em sustentabilidade. O encontro, realizado no contexto da COP-15, iniciou tratativas para estabelecer uma relação de cidade-irmã entre a capital sul-mato-grossense e Rivne, município ucraniano localizado a 11.133 km de distância. A visita contou com representantes do Ministério da Economia, Meio Ambiente e Agricultura da Ucrânia e o primeiro-secretário da Embaixada ucraniana, Oskar Slushchenko. Durante a reunião, foram debatidas possibilidades de acordos de cooperação científica, parcerias institucionais e troca de experiências em desenvolvimento sustentável e proteção ambiental.
A distância em linha reta entre Campo Grande e Rivne é de aproximadamente 11.133 km. Esta é uma estimativa pois não há trajetos terrestres viáveis entre os dois pontos.
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A visita reuniu representantes do Ministério da Economia, Meio Ambiente e Agricultura da Ucrânia, além do primeiro-secretário da Embaixada da Ucrânia no Brasil, Oskar Slushchenko. Participaram do encontro os vereadores Epaminondas Vicente, o Papy (PSDB), Otávio Trad (PSD), Victor Rocha (PSDB) e Marquinhos Trad (PDT).
Durante a reunião, foram discutidas possibilidades de acordos de cooperação científica, parcerias institucionais e troca de experiências voltadas ao desenvolvimento sustentável e à proteção ambiental.
O diplomata ucraniano destacou a importância da aproximação entre regiões dos dois países. “É muito importante estabelecer esses vínculos para a diplomacia e para as relações entre unidades federativas do Brasil e províncias da Ucrânia. Um fato interessante é que o Brasil e a Ucrânia têm o mesmo número de unidades federativas, no caso do Brasil, e de províncias no caso da Ucrânia, que são 26. Então, nosso objetivo também é estabelecer vínculos entre todas elas. Nós, como Embaixada da Ucrânia no Brasil, temos interesse em facilitar esses contatos, porque isso faz parte do nosso trabalho e também faz parte do interesse da Ucrânia fortalecer essas relações regionais entre os dois países”, afirmou Oskar Slushchenko.
Ele também ressaltou a receptividade em Campo Grande e sugeriu a aproximação direta com Rivne. “As relações são muito positivas, fomos recebidos muito bem, de braços abertos. Sugerimos, inclusive, iniciar uma conversa com a cidade ucraniana de Rivne por causa do bioma. Claro que não temos clima tropical na Ucrânia, mas, de modo geral, existem algumas semelhanças entre os biomas das duas regiões. Também temos boas relações na área universitária, no ambiente científico e com instituições públicas. Então, a nossa Embaixada tem interesse em avançar nesse assunto”.
Rivne, fundada em 1283, é um importante centro industrial, científico, educacional e cultural da Ucrânia, com população estimada em cerca de 247 mil habitantes.
O presidente da Câmara Municipal, Epaminondas Neto Papy, enfatizou o papel estratégico do Estado no debate ambiental e a relevância da COP-15 para a região pantaneira. “É uma honra receber os integrantes do Governo da Ucrânia no Parlamento municipal. Mato Grosso do Sul tem um dos principais biomas do mundo e uma valiosa reserva de água. A COP-15 é a oportunidade que o povo pantaneiro tem de se manifestar em seu próprio território sobre as dificuldades e impactos que vivencia no dia a dia. Essa integração com os ucranianos é importante para estreitar laços e discutir parcerias. Estamos abertos a isso”, afirmou.
Responsável pela articulação do encontro, Otávio Trad destacou o caráter técnico das discussões e o potencial de cooperação prática entre as regiões. “Bom, nós recebemos aqui uma delegação oficial da Ucrânia, com o objetivo de fazer uma visita institucional à Câmara Municipal. Nós apresentamos as características da nossa cidade, tanto do ponto de vista territorial quanto do ponto de vista de densidade, e principalmente explanamos sobre a rica fauna que nós temos aqui, com animais silvestres, alguns deles migratórios, que foram especificamente discutidos. Lá eles também têm uma fauna muito rica e enfrentam alguns problemas semelhantes, e nós colocamos algumas questões para saber que tipo de soluções eles já têm por lá, principalmente focadas nessa questão dos animais”.
O vereador também destacou preocupações comuns, como os impactos do desenvolvimento logístico sobre a fauna. “Nós também colocamos a preocupação com os atropelamentos de animais silvestres, principalmente quando tivermos de fato a Rota Bioceânica em funcionamento. Cada vez mais, eu creio que, a partir desse assunto específico, nós iremos iniciar um processo de compartilhamento de soluções inovadoras. Eles já têm alguns princípios de preservação nesse quesito, principalmente na questão de atropelamento e tráfico de animais, e nós devemos iniciar uma parceria a partir dessa discussão, que veio por meio da embaixada, e que para nós está sendo muito importante”.
Ao ser questionado sobre a possibilidade de cooperação com uma cidade específica, o parlamentar explicou que o tema ainda está em fase inicial. “O que foi colocado por ele é que a Ucrânia como um todo tem essa preocupação. Existem algumas cidades até um pouco menores do que Campo Grande, mas que têm essa rica fauna. Eu não me recordo do nome agora, mas nós iremos fazer esse compartilhamento de soluções diretamente com esse pessoal que veio, que são os representantes da embaixada”.
O encontro marca o início de um processo de aproximação institucional que pode evoluir para acordos formais de cooperação e intercâmbio técnico, especialmente nas áreas ambiental, científica e de gestão de biodiversidade. A proposta de tornar Campo Grande e Rivne cidades-irmãs.


