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29/11/2011 08:15

Agonia de amor na exaltação poética

Grandezas da Literatura

Um pássaro que canta livremente mesmo mantendo a correção das formas, esse é o talentoso poeta Altevir Alencar. O seu Livro de Sonetos em 2006 alcançou a quinta edição, conseguindo um feito digno de quem se torna único - uma escola da humanidade, abrigando escolas literárias que se contrapõem, e, ao mesmo tempo, alçando voo além dessas convenções.

Adota estilo parnasiano de escrever (objetividade, pureza formal), mantendo romantismo (sensibilidade e subjetivismo acima da razão), na essência e vai além, destruindo prisões do habitualismo, permitindo até mesmo a extravagância e um mar de simbolismos (próprios de uma escola reagente ao parnasianismo), num modo elegante de ser.

A obra reúne 103 sonetos, todos ao modo italiano – cada composição com 14 versos, dois quartetos e dois tercetos. Não é só porque Austregésilo de Athayde, Elpídio Reis, A. Tito Filho, Tomaz Gomes Campelo e o Desembargador Brandão de Carvalho, homenageiam Altevir Alencar no posfácio deste livro, que nos motivaremos a louvar o insigne poeta piauiense que foi adotado por Mato Grosso do Sul e honrou a adoção trabalhando pelo bem público, tendo sido prefeito de Nioaque, e após o mandato, Secretário de Estado da Cultura.

A leitura acurada nos atira a uma compreensão que fecha as portas a inúteis louvaminhas e nos entrega, emocionados, a importantes reflexões. O autor é Advogado Penalista, membro da Academia Piauiense de Letras e da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras (cadeira 34, patrono Tertuliano Meireles), sendo, na atualidade, o único intelectual brasileiro a integrar simultaneamente duas academias estaduais.

Altevir é uma vítima bem-sucedida da necessidade de se expressar. Ele tem que gritar o amor e a dor, e o faz de modo original e estonteante. Nas letras vivas, narra tristeza e morte, enumera alegrias fugidias e todos os níveis mais profundos dos sentimentos humanos.

Veja como ele diz em NO NORDESTE (soneto), sobre a “Tarde longa e cansada de verão”, quando “O peito imenso do sertão soluça” (...) ou ainda em SOLITUDE, lembrando o despedaçador Augusto dos Anjos: “Vejo alçar voo num tumultuar medonho/ Um bando de ilusões fugindo a esmo/ Sentindo, por incrível que pareça, / Na própria luz dos versos que componho/ A ausência inexplicável de mim mesmo”. E mais; “Meu Coração: é um cárcere sem portas/ Onde se agrupam todos os fantasmas/ Das esperanças que nasceram mortas”.

O poeta não foge do contraditório. Associa as agonias do universo com o amor sonhado, vivido com felicidade, depois perdido, mas escravizado na memória. No soneto VELHO PORTÃO, sente que “Sou a porta da vida escancarada, /Que a rajada da angústia escancarou”.

Insatisfeito, chora em NUNCA, sobre os amores impossíveis, mas despertos: “Tu não aplacarás as minhas ânsias/ - Mulher feita de fogo e de distancias, / Que eu sempre quis... e nunca pude ter”. E na construção DENTRO DE NÓS, reclama: “Tudo nos diz que o pranto mais ardente/ É justamente o que a alma desconhece”.

A mulher está presente em sua verídica aspiração de pureza, encontros com o amor, devaneios e decepções. VEM é o soneto assim finalizado: “Que este amor que me queima é uma loucura/ É minha glória e minha própria ruína”, um dos muitos choques em que identifica fatalidade nas coisas. Talvez por isso, no NIRVANA, desabafa: “Sou cálice de flor que se adelgaça, / Recebendo a neblina da desgraça, / Dentro da noite horrível do viver”.

Por vezes é iconoclasta, ousa, poeticamente, falar como no incluso TALISMÃ: “Movam-se a ondas de cristal do oceano, /Ruja, feroz, o temporal do inverno, /Tornem-se fogo s lágrimas de Deus/ Nas infi nitas amplidões dos céus!”.

Altevir Alencar! Todo poeta sabe que um bom intercessor assume funções de um Anjo-da-guarda. Prossiga defendendo o coração da poesia, semeando beleza, mesmo quando dolorida, nesses misteriosos caminhos da nossa vida!

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