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06/11/2011 08:15

Eduardo Machado Metello e seus três “Casos” com estilo inovador

Grandezas da Literatura

Das particularizações de inteligência no mundo, as mais raras são aquelas que associam, à intelectualidade séria, o bom humor com ironia fi na, o chiste sem zombaria, a brincadeira sem escárnio. Eduardo Machado Metello é um desses casos; demonstrou dar o possível de si para fazer o melhor nos ramos de atividade a que se prestou, e além de tudo se fez boa companhia para todos. Em 1994 lançava o livro “3 Casos”, que abordamos neste texto. Após sua morte, que ocorreu em 22 de julho de 2000, era lançado (em 12/3/2004, aniversário de 25 anos da Famasul) o segundo volume do que se tornou a trilogia “3 casos”, posto que o escritor legou inédito material.

Eduardo Machado Metello (São Paulo, 1930-Campo Grande, 2000), ocupou na Academia Sul-Mato-Grossense de Letras, a cadeira 32, atualmente ocupada por Abílio Leite de Barros, patrono Weimar Torres. Sua carreira profissional e pública foi construída em Mato Grosso do Sul e abrangeu todo o Estado. Além de escritor, ilustre advogado, professor universitário (Universidade Católica Dom Bosco), renomado fazendeiro, foi destacado defensor dos produtores rurais. Líder respeitado influenciou positivamente a agropecuária regional e nacional. Presidiu a Associação dos Criadores de Mato Grosso do Sul (Acrissul), o Sindicato Rural de Campo Grande e a Federação de Agricultura e Pecuária do Estado de Mato Grosso do Sul (Famasul). Escreveu os livros “3 Casos”, “Meu Amigo Autonomista” e “A Reforma Agrária no Brasil”. Lançou e incentivou as publicações rurais “Informe Agropecuário” e “Famasul em Revista”. Foi colaborador de dezenas de periódicos do país, inclusive da revista Globo Rural.

A obra “3 Casos” é apresentada de três em três itens a cada título abordando determinado tema ou assunto. Por exemplo: “3 Casos do Dr. Vespasiano”; “3 casos de minha mãe”. O autor homenageia a história regional, deixando entrever, na maioria dos casos, a conjuntura de momento, com seus personagens folclóricos como “Pedro Pólvora” e tantos outros. A todo passo surge relatado algum caso presenciado por Metello pelas cidades do interior. Nessas, ilustrava todo evento agropecuário, convivia e contribuía para o progresso geral.

A profissão de advogado lhe era fonte de excelentes casos. Num deles, o cliente ameaça dispensar seus serviços. Estava com um problema e acreditava que Metello não lhe serviria e usou o seguinte argumento: “— Para esse caso, preciso de um advogado safado, pois a parte contrária tem um procurador terrível, capaz das maiores bandalheiras. Como sei que o senhor é uma pessoa séria, desejo, desta vez, tratar um advogado velhaco, para equilibrar a situação”. — Mas mudou de ideia ao ouvir o seguinte comentário do seu intercessor: “— Você já pensou se o tal advogado safado, que vai ser contratado, usar a safadeza contra você? Se ele for desonesto, provavelmente isso é o que acontecerá...”. Em seus escritos dá novos significados e revela a alma da gente comum, os comezinhos do cotidiano do citadino e a belíssima simplicidade da vida rural.

Metello trazia em parecença a vivacidade mental-espiritual de seu pai, Adriano Metello Júnior, que está incluído em seus Casos. Em primeiro de agosto de 2000, o Senado brasileiro aprovou voto de profundo pesar pela morte (em julho do mesmo ano) de Eduardo Machado Metello e apresentação de condolências à família e ao Estado de Mato Grosso do Sul. A passagem da sua vida por esta terra, também desperta nos corações que o amam, três casos: antes, durante e depois. O “durante”, a sua existência, é imorredouro no “depois” que vivemos agora, sempre com as boas lembranças que sadiamente sobre nós reagem.

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Sobre o saudoso professor, deixo três lições que ele me passou e que ultrapassam os limites do Direito Civil, matéria que ele lecionou na UCDB - Turma 1993:

❶ Aprender inglês, você tem de pensar em inglês. Aprender Direito é a mesma coisa. Por isso que os brocardos latinos são importantes.

❷ Minuto de bobeira: todo mundo um dia levanta e faz algum mau negócio. Você precisa estar sempre atento, sempre se aperfeiçoando, nada de ser "doutor de um livro só".

❸ O poder corrompe. De tanto ser bajulado, você acaba achando que é o "tal". Nunca julgue que já aprendeu o bastante, pois o bastante sempre é insuficiente, e não o inverso.
 
emerson marim chaves em 19/05/2013 15:51:23
Caro Sr. Guimarães Rocha,

Em nome de minhas duas filhas, Anajô e Aline, e meu, agradecemos a leitura de seu artigo sobre o meu saudoso marido "Eduardo Machado Metello e seus " 3 Casos" com estilo inovador", o qual nos trouxe agradáveis lembranças e muitas saudades.
Att
Maria Lúcia Metello
 
Maria Lucia Metello em 06/11/2011 10:18:12
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